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A voz do Madeira

A produção da artista plástica Rita Queiroz pode ser traduzida genuinamente como regional. A maioria de suas obras nos lembra os seringais da Amazônia e retrata a realidade ribeirinha, principal fonte de inspiração para a artista. Rita deixou sua marca registrada através de obras divulgadas em vários países, sempre valorizando o contexto caboclo. Seu último Projeto sócio-cultural foi desenvolvido no Seringal  Santa Catarina em Rondônia, as margens do Rio Madeira. Lá a artista implantou o Ponto Cultural “Arte e Vida Rio Madeira” no âmbito de um Projeto Federal e em parceria com o Estado. Esteve presente na localidade por dois anos e pode constatar o abandono de um povo sofrido, sem acesso a arte e a cultura e cujas raízes estavam literalmente se perdendo.

“O progresso também chegou à região no que se refere a televisão, rádio e telefonia.  No entanto, não houve progresso real, pois nada melhorou nas áreas de trabalho como fonte de renda, educação e saúde. As crianças ainda se alimentam basicamente de peixe e farinha, andam descalças e algumas engravidam ainda meninas. Talvez o que ainda reste de bonito para se ver no lugar seja a liberdade e o contato íntimo com a natureza.”

Pioneira no movimento pela Cultura no Estado de Rondônia a artista participou ativamente de todas as iniciativas neste sentido a partir da década de 70. Sua personalidade reflexiva e provocativa despertou o olhar do governo e da sociedade para a importância da cultura para um povo. Sempre buscando a convergência e o fortalecimento da cultura como um todo esteve presente junto a todos os segmentos artísticos culturais. Entende que todos fazem parte de um mesmo universo imprescindível ao desenvolvimento humano.

Movidos pelo mesmo objetivo vários grupos se organizaram e realizaram projetos em comum. Entre vários projetos pioneiros podemos destacar o Projeto “Urucum” idealizado pelo artista plástico João Zogbhi. Outros momentos ricos em troca de experiências aconteciam nos Saraus promovidos pelas escritoras Nilza Menezes, Eunice Bueno e outros.

No que diz respeito ao encontro direto com a comunidade muitos foram os Projetos Sociais fomentados por artistas e escritores, valendo ressaltar “A Praça é Nossa” e “Prática do Saber”, ambos coordenados pelo Estado. O apoio da imprensa também foi indiscutível e incondicional, prestando seu serviço social ao divulgar e convidar o povo para se integrar ao movimento cultural.

A área de Educação representada por Escolas, Universidades e Academia de Letras também sempre se fez presente. Seria difícil citar todos os personagens importantes da época que estiveram envolvidos no processo de semear as atividades artísticas, culturais e sociais daquele momento histórico. No entanto, um estudo do acervo jornalístico e fotográfico de Rita Queiroz permite-nos identificar vários agentes atuantes e marcantes das últimas décadas.

A artista defende a necessidade constante de pensar no lugar do artista na sociedade. A partir desta reflexão entende que arte não deve se limitar ao domínio das satisfações fáceis e imaginárias. A arte deve informar atividades fundamentais, aspectos da vida atual, bem como resgatar o passado como memória indestrutível.

A artista defende a necessidade constante de pensar no lugar ocupado pelo artista na sociedade. A partir desta reflexão, entende que arte não deve se limitar ao domínio das satisfações fáceis e imaginárias. A arte deve informar atividades fundamentais, aspectos da vida atual, bem como, resgatar o passado como memória indestrutível.

Nesta altura a artista de 78 anos ainda não dispõe de um espaço físico definitivo que permita disponibilizar para a sociedade tanto seu acervo de telas e instalações, como o de reportagens, vídeos documentários, fotografias, livros e histórico de projetos que realizou no decorrer dos últimos 40 anos. Infelizmente, o Governo ainda mantém o investimento em cultura, arte e patrimônio histórico em segundo plano.

A maioria de suas obras foi doada ou vendida para apreciadores de arte e colecionadores, restando apenas o registro fotográfico das mesmas.

Em face desta realidade o que fazer para manter viva a história de Rita Queiroz e permitir o acesso deste conhecimento a sociedade?

Ciente de que a arte não deve estar restrita as elites e ao domínio dos que possuem status e poder, nasceu a idéia de criar este site.

A utilização deste espaço virtual tem como proposta trazer ao público, além de uma galeria virtual das obras da artista, toda sua história profissional, marcada por intensa participação social que contribuiu de forma primordial para o movimento cultural do Estado de Rondônia. Trata-se de um acervo que pretende manter o registro da carreira de Rita Queiroz, personagem que se mistura a própria identidade do seu povo. A finalidade desta iniciativa não é comercial e sim permitir o acesso e a pesquisa para todos que se interessam pelo tema.




Sejam bem vindos!

 

 

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